COMUNICAÇÃO NÃO É “PERFUMARIA”

A frase Careless Talk Costs Lives (conversas descuidadas custam vidas) foi slogan de uma campanha de propaganda do governo britânico durante a Segunda Guerra Mundial. O objetivo era conscientizar a população e os militares sobre conversas privadas, em público, que poderiam “vazar” e revelar informações privilegiadas a espiões, inimigos alemães, resultando em mortes, comprometendo, assim, a Segurança Nacional.

A advertência tem se mantido atual e ampliada, em uma contemporaneidade marcada pelo protagonismo da informação, com a instantaneidade, a interatividade e os novos fenômenos proporcionados pela tecnologia. O impacto de “conversas descuidadas”, de declarações mal elaboradas e, sobretudo, informações negativas, é avassalador. WikiLeaks, o recente Caso Epstein e, no Brasil, a Operação posteriormente denominada de Vaza Jato são exemplos emblemáticos dos destroços causados por vazamentos.

Reputação tornou-se um ativo valioso, em época de onipresença da comunicação, com conexões infinitas, engajamento atenção, impactando nos resultados. Não há mais nenhuma novidade em afirmar que, nas últimas décadas, o campo da Comunicação avançou de forma acelerada, precisando se aperfeiçoar diante de tantos desafios emergentes na era da hiperconexão global. A Sociedade da Informação trouxe demandas por Gestão de Crises, Branding, Tráfego Pago, Neuromarketing, Storytelling, Branded Content e uma imensa variedade de estratégias que transcendem os modelos já obsoletos. Mídias tradicionais – rádio, TV, jornal – buscam se adaptar e acoplar formatos como o streaming e o podcast.

Não é à toa que as empresas mais ricas e valiosas do mundo, em 2026, são gigantes da tecnologia da informação: Nvidia (líder global em tecnologia, empresa mais rica do mundo na atualidade, fabricante de unidades de processamento gráfico (GPUs) e chips de Inteligência Artificial (IA); Apple, liderança no mercado global de smartphones; Microsoft, Meta (Facebook, Instagram e Whatsapp), Alphabet (Google), gigante de tecnologia e buscas.

O contrário das declarações desastrosas ou da própria ausência de posicionamento oficial pode trazer prejuízos tão grandes quanto os vazamentos de informações confidenciais. Ocupantes de cargos públicos, ou aspirantes, que desprezam uma área hoje decisiva para a sinergia organizacional – e não apenas para propaganda – acabam por ter problemas que as dancinhas e os videozinhos de reels não resolvem. O fenômeno da tiktorização na Comunicação Política só dura até a página seguinte.

Desprezar a profissionalização em um setor que detém dados e, por isso mesmo, possui insumos fundamentais para a tomada de decisões e para estratégias, sai caro quando uma crise se instala.  Os dados são o novo petróleo, na frase atribuída ao matemático britânico e arquiteto de ciência de dados, Clive Humby. E como qualquer outro capital, exigem gestão.

Ou, em outra perspectiva, sublinhada na obra O Poder da Comunicação, de Manuel Castells, que constata: “Se as relações de poder são construídas em grande medida na mente humana, e se a construção de significado é primordialmente dependente dos fluxos de informação e imagens processadas nas redes de comunicação, seria lógico concluir que o poder reside nas redes de comunicação”.

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