ÓRFÃOS DA CIDADE PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

Pelas vielas do rico patrimônio arquitetônico da região central de São Luís, espremidos entre os becos de herança da opulência colonial, a capital maranhense exibe suas miseráveis feridas sociais.

A rua é, para eles, um colo; o chão, um abraço e, desgraçadamente, as drogas são, com frequência, a única e perversa fuga das moradias fantasmas de si mesmos.

O problema da dependência química não exige licitação, empreiteiras, nem mudança de tráfego – exceto ter que mudar o rumo do fiapo de vida restante nestes combalidos pela chaga das alterações cerebrais ilusórias.

Anestesiados, doentes, divorciados da realidade. São vítimas do pior dos entorpecimentos: a omissão dos poderes públicos diante de um problema grave que tem solução negligenciada.

Na descida da Avenida Magalhães de Almeida, o projeto falido de um camelódromo compõe a paisagem de uma São Luís abandonada, onde a compra e venda de sexo barato se mistura, em plena luz do dia, com o movimento do principal mercado da cidade. É na região do Mercado, porém, central deveria ser o pessoal, o humano.

Em mais um ano eleitoral, até quando cimento e asfalto triunfarão, nas telas luminosas dos orçamentos, com tratores passando sobre as carnes humanas deitadas nas calçadas adoecidas da Rua da Saúde, na periferia do Mercado Central, em um Desterro perpétuo?

Texto e Foto: Flávia Regina Melo

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