A Caravana Meu Lugar Fala, uma iniciativa do Comitê de Cultura do Maranhão, promoveu entre os dias 20 e 22 de agosto atividades de formação, diálogo e participação social nos municípios de Codó e Coroatá.
A atividade aproximou fazedores de cultura, conselheiros, gestores públicos e representantes da sociedade civil de informações sobre políticas culturais, financiamento e mecanismos de participação.
Em Codó, a programação foi realizada em parceria com o Instituto Mestre Bita do Barão e a Tenda Espírita de Umbanda Rainha Iemanjá. Os encontros passaram por diferentes espaços e públicos, incluindo o terreiro de Mestre Bita do Barão, reforçando a importância dos territórios de matriz africana como espaços de cultura, memória, resistência, espiritualidade e preservação de saberes ancestrais.
Entre os temas abordados estiveram o Sistema Nacional de Cultura (SNC), o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), os Conselhos Municipais de Cultura, a governança participativa e os mecanismos de financiamento da cultura.
A programação também contou com oficina voltada à elaboração de portfólios, leitura estratégica de editais e preparação de projetos para acesso às oportunidades de financiamento.
A coordenadora-geral do Comitê de Cultura do Maranhão, Nadir Cruz, destacou a diversidade dos públicos alcançados pela Caravana e a importância de levar formação diretamente aos territórios. “Nós tivemos um êxito muito grande nessas duas iniciativas. Em Codó, tivemos um público diverso, falando dentro dos terreiros, dentro do terreiro do Barão, Bita do Barão, com a nossa Baronesa Janaína do Bita, e também no auditório da Associação Comercial, falando para uma cultura diversa sobre as eleições do Conselho Nacional e todo esse processo.”
Para Mãe Janaína, do Terreiro de Bita do Barão, a presença da Caravana no terreiro representa o reconhecimento dos espaços de matriz africana como territórios de cultura e conhecimento. “É muito importante receber uma iniciativa como essa dentro do nosso terreiro, porque aqui também é lugar de cultura, de memória, de saberes e de resistência. Quando a informação chega até nós, conseguimos compreender melhor nossos direitos e também fortalecer aquilo que fazemos todos os dias para manter viva a nossa tradição.”
Em Coroatá, a programação ocorreu na Câmara Municipal e contou com a parceria da Sociedade Folclórica Bumba Boi de Coroatá. O município recebeu o seminário sobre o Sistema Nacional de Cultura e Governança Participativa, além da Roda de Conversa sobre Direitos Culturais, Diversidade e Equidade e da Oficina de Financiamento da Cultura e Leitura Estratégica de Editais.

A diversidade dos públicos alcançados pela Caravana fortalece cultura dos territórios tradicionais e ancestrais
Mestre Edilson, do Bumba Meu Boi de Coroatá, destacou a importância da formação para os grupos culturais que atuam no município e precisam compreender melhor os caminhos para acessar os editais. “Para quem faz cultura no município, uma formação como essa é muito importante. Muitas vezes a gente tem a prática, tem a tradição, tem o conhecimento, mas precisa aprender também a colocar tudo isso no papel, entender um edital e buscar as oportunidades. É conhecimento que fortalece o nosso trabalho e ajuda a cultura de Coroatá a continuar crescendo.”
A programação teve como objetivo aproximar os fazedores de cultura das ferramentas necessárias para compreender os editais e transformar oportunidades de financiamento em projetos culturais. Durante a atividade, foram analisados editais publicados pelo poder público local. “Nós estamos na Câmara de Vereadores estudando o edital publicado pelo poder público local, e os três editais publicados estão sendo estudados pelos fazedores de cultura nesse momento, para que eles dominem essa arte de leitura de um edital”, explicou Nadir Cruz.
As atividades foram conduzidas por Thais Lima, cineasta, vice-presidente do Conselho de Cultura de São Luís e titular do Conselho de Cultura do Maranhão. A programação também contou com a participação de representantes dos conselhos de cultura e, em Coroatá, incluiu discussões sobre especificidades e direitos relacionados aos terreiros e às mulheres de axé. “Do terreiro, nós falamos para pessoas do terreiro, pessoas de axé, para que elas tivessem a habilidade de aprender a fazer o seu portfólio, para concorrer aos editais que estão sendo publicados nessas duas cidades.”
O representante do Ministério da Cultura no Maranhão, Paulo Sabbá, ressaltou a importância da atuação do Minc por meio do Comitê de Cultura. “O Comitê de Cultura vem trazendo formação e informação sobre as coisas que vêm acontecendo na cultura popular. Para nós é muito importante que os fazedores de cultura estejam junto conosco, exatamente para que haja essa interação entre Comitê de Cultura, fazedores de cultura e o poder público.”
A Conselheira Municipal de Cultura, de Turismo e do Terecõ e líder do Empoderadas por Natureza, Aline da Silva Martins. “Além da formação, as atividades oferecem certificação aos participantes, que pode ser incorporada aos portfólios dos fazedores de cultura, fortalecendo também a comprovação de suas trajetórias e experiências no setor”, disse.
A Caravana Meu Lugar Fala encerrou a passagem por Codó e Coroatá com a avaliação positiva da participação popular e da receptividade nos territórios. A iniciativa reafirma a proposta do Comitê de Cultura de descentralizar o acesso à informação, fortalecer a participação social e contribuir para que quem faz cultura nos municípios tenha mais conhecimento e autonomia para acessar as políticas públicas.
“Como fazedora de cultura, eu venho trazendo a felicidade de estar com os meus e poder ofertar informações e formações. Para nós, a Caravana Meu Lugar Fala foi uma situação exitosa”, concluiu Nadir Cruz.