Se Aluísio Azevedo, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias e outros escritores maranhenses morassem hoje no centro de São Luís provavelmente não teriam nenhuma inspiração para escrever suas obras-primas. O retrato da região é o de uma cidade feia, abandonada e, frequentemente, cheia de lixo.

Nas vias e localidades próximas à Rua Grande, que durante décadas foi a principal artéria comercial da capital do Maranhão, o mau cheiro é comum, vindo de restos de embalagens de alimentos no chão, com depredação física em calçadas e muitas placas de “vende-se” nos imóveis sem projeto de revitalização. A única mudança acontece em uma das transversais da oficialmente Rua Oswaldo Cruz, onde uma barbearia improvisada, ao ar livre, transforma o visual de jovens ao som de hip-hop, rap e reggae.


Diante do quadro, as lendas que povoam a imaginação da capital, com riqueza folclórica, hoje se aproximam apenas do aspecto pobre e fantasmagórico da região, preterida pelas obras em outro locais e atropelada por outras prioridades.