MARCHA QUILOMBOLA NEGRO CARLOS ALBERTO  EM BEQUIMÃO SERÁ ATO DE DENÚNCIA, MEMÓRIA E JUSTIÇA

Na próxima quinta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, as ruas do município Bequimão (MA), vão ser tomadas pela 5ª Marcha Quilombola Negro Carlos Alberto. A Marcha promete mais do que relembrar a trajetória de um líder assassinado, será um grande ato político que combina memória, denúncia e reivindicação de um futuro justo para as comunidades quilombolas do Maranhão.

Carlos Alberto foi uma liderança do Quilombo Ariquipá, assassinado em 2020. Cinco anos depois, a investigação segue marcada por lentidão, silêncio e ausência de respostas, uma realidade que se repete tragicamente em crimes contra defensores de direitos humanos no estado. Para o Movimento Quilombola de Bequimão (MOQBEQ), o município “voltará a pulsar com a força ancestral dos tambores, dos passos firmes e da memória viva de um povo que insiste em existir”.

Marcha exige justiça para comunidades quilombolas do Maranhão, incluindo território e proteção dos biomas

Com o tema “Ecologia Integral e Justiça Climática: o Grito Quilombola pelo Território do Maranhão”, o protesto coloca também no centro dos debates contemporâneos o clima e sustentabilidade, sem abandonar o que é urgente e estrutural: a luta pela vida e pelos direitos dos povos tradicionais.

“A violência contra Carlos Alberto é a mesma violência que ameaça nossos rios, nossas matas e nosso modo de vida. Não podemos falar de justiça climática sem falar de justiça para o nosso povo e para os nossos mártires. A Marcha é a prova de que a nossa memória é a nossa força e o nosso território é a nossa vida”, afirma Fabio Silva, da coordenação executiva do MOQBEQ.

O tema escolhido para 2025 não é mera referência conceitual: é resposta direta aos impactos que as comunidades quilombolas já sentem no corpo e no território. Enchentes, secas prolongadas, contaminação de águas, avanço do agronegócio predatório e desmatamento tornam a sobrevivência cada vez mais desafiadora.

A 5ª Marcha Quilombola Negro Carlos Alberto exige:

  • proteção efetiva dos biomas maranhenses;
  • demarcação e garantia dos territórios quilombolas;
  • reconhecimento da gestão comunitária como alternativa real de sustentabilidade.

Além da mobilização de rua, a Marcha produzirá dois documentos políticos:

  1. Abaixo-assinado exigindo reabertura e transparência na investigação do assassinato de Carlos Alberto.
  2. Carta Compromisso com o Clima, reunindo propostas das comunidades quilombolas para políticas ambientais e territoriais.

Organização e apoio:

  • Realização: Movimento Quilombola de Bequimão (MOQBEQ)
  • Apoio: Instituto Quilombola do Maranhão (IQM)
  • Pautas centrais: Justiça para Carlos Alberto; demarcação e proteção dos territórios; políticas de justiça climática.

PROGRAMAÇÃO:

Local: Ginásio Poliesportivo do Bairro da Estiva, com caminhada até a Praça da Família, no centro de Bequimão.

Horário:


16h – Acolhida das comunidades quilombolas

16h30 – Mística de abertura e apresentações

17h – Caminhada com paradas temáticas pela cidade

Encerramento – Apresentações culturais na Praça da Família:

Tambor de Crioula

Grupo de percussão afro

Show de Regiane Araújo

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